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Ao final da década de 60, um grupo de amigos - que nas veias corria
sangue,
samba e futebol - resolveu
cadenciar os encontros do time
Leão da
Glória e fundou o bloco Calção Vermelho, cujos
componentes desfilavam sem camisa, vestindo somente calções
vermelhos. Já nos anos 70, o bloco tomava as ruas de Vila Velha, com
os foliões partindo da Glória em direção à Praia da Costa, atraindo
moradores para a descontraída e contagiante brincadeira.
Na mesma época, até o ano de 1980, existia no bairro
da Glória, o Bloco Carnavalesco Pantera Cor de Rosa do Jaburuna, que
muito alegrou os carnavais de Vila Velha. Com a extinção desse
bloco, vários integrantes decidiram que não poderiam ficar sem uma
instituição carnavalesca.
O
saudoso
Ivan Ferreira promoveu a união de integrantes do bloco Calção
Vermelho com dissidentes do Panteras Cor de Rosa, de
Jaburuna. O novo grupo herdou alguns instrumentos e, em 09 de
agosto, nascia a Associação Recreativa e Cultural Mocidade Unida da
Glória, nossa MUG.
No ano de 1981, desfilou pela primeira vez em Vila
Velha, como bloco carnavalesco, apresentando o enredo “No reino onde
chorar é proibido”. Seu presidente à época era o Sr. Adilson José
que, no ano seguinte, reuniu uma comissão que elaborou o samba
enredo “Meu Brasil brasileiro”, inspirado na tradicional aquarela do
Brasil, levando a escola a conquistar o primeiro lugar no campeonato
carnavalesco do município, elevando-se à categoria de escola 2º
grupo.
“O mundo animal” foi o enredo da Mocidade para 1983,
conquistando o terceiro lugar das Escolas do 2º Grupo, com destaque
para o trabalho de Ivan Ferreira, um dos baluartes da escola. A
comunidade se mostrava cada vez mais determinada em fazer a MUG
brilhar.
Na
Avenida Princesa Isabel, em 1984, veio então a grande vitória. A
MUG reapresentou o enredo de 1981, “No reino onde chorar é
proibido”, retratando ainda os artistas circenses, os parques de
diversão, as crianças, a fábrica de bombons Garoto, o mundo dos
doces, balas e chocolates. Público e jurados elegeram a MUG a melhor
e a campeã alegrou coração do vila-velhense. A escola já contava com
um carnavalesco, o Sr. Marcílio Dias, auxiliado pelo também
carnavalesco Sr. Edson Pessegueira. Seu então presidente era Ronaldo
Régis.
O presidente da escola, Sr. Paulo César Giovanini,
incumbido da responsabilidade de representar uma escola de primeiro
grupo, lutou com dificuldade para a Mocidade apresentar, em 1985, o
enredo “Raízes de uma Civilização”, do carnavalesco Marcílio Dias. A
MUG sente o peso do grupo especial de um desfile - à época
considerado o segundo melhor do Brasil - fica em nono lugar e
retorna ao Grupo de Acesso.
Grandes transformações vieram no ano seguinte. A
Mocidade apresentou o enredo “Quem te viu, quem te TV”, do
carnavalesco Sury, relatando a história da televisão brasileira.
Tinha assumido a direção da MUG, o Sr. Carlos Roberto S. Ribeiro. O
trabalho foi feito com tanta garra e determinação que, além da
escola conquistar outro primeiro lugar e retornar Grupo Especial,
foi ovacionada pelo público e pela imprensa da Grande Vitória, por
seus carros alegóricos, do carnaval capixaba, além do casal de
mestre sala e porta bandeira ter sido detentor do prêmio Estandarte
de Ouro.
O enredo “Amazônia, lendas e cobiças”, do
carnavalesco Sury, conquistou o terceiro lugar em 1987, ao lado das
duas grandes potências do carnaval capixaba, Novo Império e Unidos
da Piedade, respectivamente. Esse resultado confirma a MUG entre as
grandes escolas do Espírito Santo.
Em 1988, a Mocidade aposta suas fichas em um enredo
criativo: "Quem viver, verá! O arauto da Liberdade.", mas fica em 7º
lugar, porém se mantém no grupo especial.
A MUG brinca com os desejos do homem, em 1989, no
enredo "O Sonho de Ícaro". Leva para avenida um carnaval irreverente
e emocionante, mas que não é bem recebido pelos jurados. A MUG fica
com a 6ª colocação. A Novo Império se torna campeã com o enredo
"Acorda Brasil".
Decidida a abrir a década de modo diferente, em 1990,
a MUG leva ao desfile o enredo “Do sonho à fantasia", conquistando o
2º lugar. E, no ano seguinte, “O Encantamento de Soboadam" é o
enredo que mexe com o imaginário das pessoas e com as expectativas
dos sambistas muguianos. Mas, novamente, o resultado não é o
esperado, a Mocidade obtém o 5º lugar. Vence o carnaval o Grêmio
Recreativo Escola de Samba Independente de São Torquato, com o
enredo "Sinfonia de um espectro".
Em 1992, a escola da
Glória passa pelo pior momento de sua existência. Iria levar para a
avenida o enredo "Divina Luz". Pouco antes do desfile, um terrível
incêndio destrói o barracão da escola e impede a MUG de desfilar.
Entre 1993 e 1997 não há desfile de escolas de samba
em Vitória por falta de apoio às instituições carnavalescas. Mas, com
o retorno dos desfiles em 98, a MUG recusou-se a participar,
enquanto o carnaval não tivesse caráter competitivo novamente.
Dez anos após o encerramento das atividades, em 2002
a MUG retorna ao desfile, já realizado novamente na casa do samba
capixaba, o Sambão do Povo. Com o enredo "O renascer das cinzas", a
escola conquista o 2º lugar.
O sonhado primeiro lugar, se torna mais uma conquista
da MUG em 2003. Um ano de muito trabalho e amor pela escola que
levou para a Passarela do Samba o enredo "De passo a passo, faço os
passos de Anchieta".
Ainda eufórica com o resultado do carnaval anterior,
em 2004, a escola da Glória aposta em um enredo descontraído e
irreverente sobre os extraterrestres. "SOS senhores do universo: o
planeta Terra está agonizando" é muito bem recebido pelos
expectadores, e resulta no vice-campeonato.
Em 2005, "Grécia... uma viagem fantástica ao templo
dos deuses da mitologia" é considerado por muitos como o melhor
enredo e samba-enredo que a MUG já levou para a avenida. Com carros
grandes e quase 3.000 componentes, a escola é aplaudida por todos,
consagra-se campeã de público e crítica.
O enredo "Quente como o inferno, puro como um anjo,
doce como o amor... Quem vai provar? Quem vai querer? Eu sou o café
e meu banquete é pra você", cai no gosto da comunidade. A escola
leva quase 3.500 componentes para a avenida. A mocidade repete a
fórmula de carros grandes e inovadores, fica o vice-campeonato.
Em 2007, A
MUG prepara uma festa impecável, em um parque encantado e
fascinante, onde todos viram crianças. Com o enredo "Mocidade Hoje
Sou Criança... Aventureiro da Ilusão", a vermelha e branca preparou
o carnaval mais caro da história, com efeitos de iluminação, carros
articulados e grandes estruturas móveis. A escola passava
deslumbrante pela avenida quando a quebra da engrenagem central de
um dos carros alegóricos acabou com a festa. A escola estourou o
tempo e foi rebaixada.
Mas, em
2008, venceu o 2º Grupo e retornou ao local de onde não merecia ter
saído, o Grupo A, com a reedição do enredo “Amazônia, lendas e
cobiças originalmente apresentado em 1987.
No
carnaval de 2009, desfilando com 3000 componentes, 23 alas e seis
alegorias, a Mocidade foi a vice-campeã, com o enredo “Do Eldourado
Africano ao Berço Selvagem e Fascinante da Vila São Matheus”. A escola
sofreu com a ação de vândalos que, após o carnaval, incendiaram uma
alegoria da agremiação.
Em 2010, ao falar sobre o cinquentenário de Brasília, a MUG
conquistou a 2º colocação e decidiu se reestruturar. Alertada pela
consultora Administrativa Roberta Tannure sobre a impreterível condição de
planejamento para o sucesso da escola, a diretoria adotou uma série
de medidas de urgência para o carnaval 2011, listando os problemas
anteriores e estruturando as soluções para os mesmos. A fórmula deu
certo. Com o enredo “Mocidade – a cerevesia que contagia”, além de
vencer o carnaval oficial com uma diferente de cinco pontos, a MUG
conquistou troféus em todos os prêmios independentes do Estado.
Para
2012, a Mocidade Unida da Glória fará uma grande homenagem ao rei do
baião, Luiz Gonzaga do Nascimento, que enriqueceu a constelação de
nossa música popular brasileira. O enredo: Gonzagão, filho do
sertão, majestade do baião - 100 anos em glória irá exaltar a obra
desse genial pernambucano... uma talismã que em Exu nasceu!
E com essa merecidíssima homenagem ao mestre, entrar na avenida em
busca do tetracampeonato.
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