GONZAGÃO!
FILHO DO SERTÃO, MAJESTADE DO BAIAO,100 ANOS EM GLÓRIA!

 
     
 


 

 

A tradicional irreverência da Mocidade Unida da Glória, em 2012, se rende em homenagem ao grande mestre Luiz Gonzaga do Nascimento, cuja trajetória reluz no cenário da poesia e da Música Popular Brasileira.

A grandiosidade de vida e obra do rei do baião permitirá uma deliciosa viagem pela cultura e costumes nordestinos, por meio de uma explosão de cores na avenida, marcada pela alegria das festas juninas, dos forrós pé de serra, do baião, do xote e do xaxado. Pela riqueza do folclore e das crendices do Estado de Pernambuco! Uma diversidade de nuances e sons que caracterizam o reinado de Seu Lua. 

Luiz Gonzaga, nordestino guerreiro, de olhar e procissão, do Nordeste pioneiro, de lutas e tradição!  

Oxente! Salve, salve, Sua Mejestade!

 
 
 

É Hoje! Estamos em 13 de dezembro de 1912. Olhe pro céu estrelado e veja como ele está lindo. Risca o luar de prata de Exu uma estrela cadente, talismã nordestino, e os arautos celestiais com enormes Asas Brancas, anunciam boa sorte e proteção. Na matriz, os sinos de Deus ecoam no soar dos meus tambores, no tocar dos tamborins: chegara o filho do sertão!     

 A criança de pele dourada com traços angelicais surge do Baião de Dois entre o cometa Januário e estrela Santana. Luiz Gonzaga do Nascimento, o nome todo homenagem: Luiz para Santa Luiza, festejada em 13 de dezembro; Gonzaga o sobrenome que o padre José Fernandes Medeiros escolheu para São Luiz Gonzaga; e Nascimento por ter o menino nascido bem próximo dos festejos de Natal.

 Vici, o bichim veio mesmo predestinado. Em 05 de janeiro de 1913 foi batizado, vésperas da Folia de Reis. E não é que virou REI mesmo.  

Viva! Hoje é dia de Reisado! Vamos brincar passarela a fora. Foliões, pastoras, figuras e moleques se reúnem para festejar com
sanfona
, zabumba, triângulo e pandeiro. Na fazenda Caiçara, o menino Lula cresce ouvindo o fole de oito baixos de seu pai.

 Em 1920, com apenas oito anos de idade, tem início o reino das Lindas Canções. A pedido de amigos de seu Januário, Luiz substitui um sanfoneiro em festa tradicional. Canta e toca a noite inteira com direito a pagamento de vinte mil réis. E aí cumpadi, com todo respeito à Dona Santana, mas o agradim amoleceu o coração da mãe que não queria o menino sanfoneiro. Os convites nunca mais pararam e nos arredores do Araripe todo mundo já sabia quem era "Luiz de Januário, Lula, Luiz Gonzaga... aos 15 anos. Em feiras, festejos e forrós, o jovem Gonzaga sempre em companhia do velho Januário.

Em Fortaleza, serve às Forças Armadas. Cumprida a missão, ruma ao sul maravilha! Passa por vários lugares e conhece a garoa da Selva de Pedra, mas é na cidade maravilhosa que faz morada e da música o ganha pão.

Zona do meretrício carioca, primeiro emprego. Nos cabarés da Lapa e nos “inferninhos” da Praça Onze diverte marujos, prostitutas e nordestinos. Poucos sabem, mas o repertório de Luiz à época é de tangos, valsas e boleros.

De um conterrâneo pernambucano vem a cobrança pelas origens. Por que não tocar canções da terra Natal para matar as saudades? E assim xaxados, chamegos, cocos e xotes, como na infância com o velho Januário, retornam à vida de Gonzagão.

No gogó e na sanfona, Luiz Gonzaga ensaia. Nas ondas da Rádio Nacional, a mais importante emissora do país da década de 40, meu padim, Padre Ciço abençoa a sintonia do Fole Prateado. O frenesi de “Vira e Mexe” - primeira canção de sua autoria - lhe rende a vitória no concurso de calouros do programa Ary Barroso. Ovacionado pela platéia, o sanfoneiro garante contrato, com direito a gravação de dois elepês em 78 rotações.

O artista que jamais renega suas raízes estende a homenagem aos irmãos nordestinos para além das notas musicais. O terno e a gravata jamais subiriam aos palcos novamente em suas apresentações. Inspirado em Lampião, rei do cangaço, forte marca de seu povo, Gonzagão agora é herança, Gonzagão é chapéu de couro e gibão! 

Nas andanças por este país, desenvolve estilo próprio. Piadas, críticas ao descaso dos governos e causos de sua vida artística dividem o palco com belas canções que retratam a alegria, a esperança e fé a força do povo nordestino.  “Xote, baião e xaxado, violeiro e cantador”, frevo e maracatu, que Luiz canta com todo agrado e louva com todo amor. 

Na carinhosa homenagem de Paulo Gracindo, o rosto arredondado se torna o apelido Seu Lua. Para a amiga Elba, Luiz é Leão do Norte, assim como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna ou a calunga revelando o Carnaval. 

O talento sobe degrau a passos largos e o reinado se fortalece. Vossa Majestade traz lições. Em 1946 resolve mostrar como se dança o baião. “E quem quiser aprender, é favor prestar atenção”. A canção estoura nas paradas de sucesso e parte pra turnê mundial em diversas vozes: Espanha, Itália, França, Estados Unidos e Japão. Cai nos encantos da pequena notável. Todos querem gravar Baião. 

Ao lado do parceiro Humberto Teixeira, nascem outros clássicos do repertório: Assum Preto, Respeita Januário, Meu Pé de Serra. Mas quando o verde dos  "óio", se "espaia" na prantação” surge a Asa Branca da saga nordestina, Asa Branca da saudade. Asa Branca do Sertão!

“Nós já cantemos o baião e o pé de serra. E a Asa Branca que veio lá da nossa terra. Mas nós agora temos coisa bem melhor. Temos a nova dança que se chama o siridó” Um passo à frente, dois atrás, uma vortinha. Vamo até de manhãzinha. Na nota dó, nasce o Siridó... mais uma com Teixeira. 

Os costumes e a cultura nordestina se destacam na parceria com Zé Dantas.  A dupla anuncia as Vozes da Seca, o ABC do Sertão e o desabrochar da Juventude: “... Toda menina que enjôa da boneca é siná que o amor já chegou no coração”.  Tudo é poesia! A flor do Mandacaru se torna deusa do asfalto na Passarela. 

Os versos da canção autobiográfica surgem ao lado de Hervê Clodovil. Em A Vida do Viajante, sua vida é andar por esse país, pra ver se um dia descança feliz. Guardando as recordações, das terras onde passou, andando pelos sertões e dos amigos que lá deixou. Seu Lua faz história seu moço, e das boas!   

Em Caruaru é dia de São João, a quadrilha vai começar. Olha a chuuvaaaaaaa, já passou! Minha gente vem pro terreiro. Gonzagão empresta estilo próprio pra falar de amor e saudade do sertão em cantigas que alegram as Festanças do folclore nordestino. Vixi seu moço, oiá que belezura de mágica com a terra: são os bonecos do ceramista Vitalino!   

Luiz Gonzaga do Nascimento retratou a vida, os costumes e o folclore de seu povo sim sinhô seu moço. Mas fez muito, muito mais que isso. Seu Lua colocou todo mundo pra dançar! Dançar baião, xote, xaxado, e chamego.

De A a Z, mais de mil canções, pra ficar de rosto colado ou levantar a poeira da terra do mandacaru, do cangaço e da caatinga. Fez obra musical única, carregada de arranjos, ritmos, harmonias e melodias. Criou partituras de amor, orgulho e alegria para desenhar notas musicais que embalam a alma.  

E assim, em chapéu de couro e gibão, atendendo ao pedido de Vossa Majestade durante último show no Teatro Guararapes, do Centro de Convenções de Recife, em 06 de junho de 1989, nosso Gonzagão será lembrado “como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão; que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor. Lembrado como filho de Januário e dona Santana”

Enfim, um centenário em meio a muita festa, 100 anos em glória! A Mocidade enaltece o luxuoso centenário do poeta, instrumentista, cantor e compositor da música verdadeiramente popular brasileira. Filho do sertão, majestade do baião! Em nossa viagem fantasia, o chapéu de couro é chapéu de bamba. Coberto com o manto vermelho e branco da Mocidade, o Leão do Norte hoje é Leão da Glória.

 
 

Muitíssimo obrigado mestre!
A Mocidade hoje te reverencia:

 

“Do trabalho com amor nasceu. Um cenário de tempos passados que não morreu. Na pedra o homem talhou, sua fé, sua luta brotou.
E lá no Nordeste, nas terras do agreste. Pra sempre ficou...” (Nova Jerusalém – Luiz Gonzaga)


GONZAGÃO!
FILHO DO SERTÃO, MAJESTADE DO BAIAO, 100 ANOS EM GLÓRIA!

 Petterson Alves
Carnavalesco

Petterson Alves e Luciene Araújo
Elaboração do Texto

Luciene Araújo, Kelly Soares, Dave Cavatti,
Leonardo Soares e Gabriel Mello
Comunicação Pesquisa e Documentação Artística

 

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